O empresário investigado pela morte de Clair dos Santos, de 42 anos, afirmou que efetuou o disparo a cerca de 20 metros de distância, com a mão esquerda, e que sua intenção era apenas “assustar” a vítima. A manifestação foi feita antes do cumprimento da prisão temporária decretada na última segunda-feira (1º), em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
O áudio com o posicionamento do empresário foi divulgado com exclusividade nesta terça-feira (2) pelo programa Tribuna do Povo.
Antes da prisão, o investigado havia se apresentado espontaneamente à DIC (Divisão de Investigação Criminal) de Chapecó, acompanhado da esposa.
Após a confirmação da ordem judicial, foi encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia, no bairro Efapi, e posteriormente transferido ao Presídio Regional de Chapecó.
“Nunca imaginei viver uma situação tão dolorosa”, diz empresário preso por morte
No áudio, o empresário afirma que fala não como alguém investigado, mas como um morador do bairro Santo Antônio há mais de 20 anos.
Segundo ele, os dias após o ocorrido têm sido marcados por sofrimento, reflexão e angústia.
Empresário preso por morte diz que os dias têm sido marcados por sofrimento e angústia.Vídeo: Reprodução NDTV Record/ND Mais
“Nunca imaginei que a minha vida seria marcada por uma situação tão dolorosa. Por isso peço que as pessoas compreendam que existe uma história muito maior por trás dos fatos, que ainda será divinamente esclarecida”, declarou.
O empresário preso por morte afirmou ainda que o desfecho do caso foi profundamente triste e que jamais desejou viver uma situação semelhante.
Empresário relata pedido de ajuda antes da perseguição
De acordo com o relato, na manhã do crime ele ainda não havia iniciado suas atividades quando recebeu mensagens de socorro da proprietária de uma farmácia vizinha ao seu estabelecimento.
Ao chegar ao local, disse ter encontrado uma pessoa desesperada e abalada, pedindo ajuda.
Empresário preso por morte relata que agiu após receber pedidos de ajuda relacionados a um suposto furto.Foto: Divulgação/ND MaisSegundo ele, a cena o impactou profundamente e os acontecimentos seguintes ocorreram em questão de segundos.
O empresário preso por morte também manifestou solidariedade à família da vítima.
“Sei que não existe palavra capaz de aliviar uma dor dessa dimensão. Mas também sinto que preciso falar um pouco sobre aquilo que eu e minha família vivíamos.”
Defesa afirma que empresário não possui antecedentes criminais
Os advogados Luiz Felipe Bratz e Samira Backes Brand afirmaram que o cliente possui boa reputação, não tem antecedentes criminais e é conhecido na comunidade como trabalhador e pai de família.
Segundo a defesa, as informações divulgadas até o momento representam apenas um “recorte isolado dos acontecimentos”, sem considerar circunstâncias anteriores ao episódio que, conforme os advogados, serão esclarecidas durante a investigação.
Empresário preso por morte relata que agiu após receber pedidos de ajuda relacionados a um suposto furto.Foto: Jair Correia/NDTV RECORD/ND MaisEm nota publicada nas redes sociais, a defesa alegou ainda que o empresário e seus familiares viviam há meses sob um cenário de medo, insegurança e apreensão devido a situações que serão apresentadas formalmente às autoridades.
Os advogados reforçaram que o empresário preso por morte é um “cidadão de conduta ilibada, empresário conhecido na comunidade, pai de família, trabalhador e sem qualquer antecedente criminal”.
Relembre o caso de Clair dos Santos
Clair dos Santos, de 42 anos, foi morto a tiros na manhã de 29 de maio, nas proximidades da Udesc, no bairro Santo Antônio, em Chapecó.
Segundo a Polícia Militar, a vítima teria sido perseguida após um suposto furto em uma farmácia da cidade. Testemunhas relataram ter ouvido ao menos quatro disparos. O homem foi atingido por dois tiros nas costas e encontrado caído no pátio da universidade.
Suspeito de furtar perfume e desodorante é perseguido e morto a tiros em Chapecó.Foto: Jair Correia/NDTV RECORD/ND MaisConforme apuração da NDTV RECORD, Clair era suspeito de furtar um perfume e um desodorante de uma farmácia localizada na região do bairro Cristo Rei. Após o suposto furto, ele teria fugido do local.
A investigação aponta que o suspeito dos disparos, que não possuía vínculo com a farmácia, iniciou uma perseguição contra a vítima. Depois dos tiros, ele deixou o local.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
