A mulher de 37 anos que fingiu ser uma adolescente de 12 anos, em Joinville, no Norte de SC, teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (3). Um inquérito policial foi instaurado e ela responde por falsa identidade e estelionato.
Segundo a Polícia Civil, ela vivia na casa de uma família na região de Pirabeiraba havia cerca de 14 meses e criou uma rede de histórias para sustentar a falsa identidade de nome “Gabrielle”.
As vítimas chegaram a criar um forte vínculo emocional e de cuidado com ela, custeando roupas e até medicamentos de emagrecimento, conhecidos como “Mounjaro”. O objetivo era acolhê-la por ter passado por supostas “dificuldades e abusos na infância”.
De acordo com o delegado Rodrigo Gusso, responsável pelo caso, a investigação começou na última sexta-feira (29), quando uma das vítimas procurou a delegacia após receber um alerta de uma parente.
“O homem foi até a delegacia dizendo que foi alertado por uma familiar que a adolescente acolhida não era uma criança e sim uma mulher adulta”, explicou ao ND Mais.
Ele não havia acreditado na informação, no começo, então começou a pesquisar na internet e encontrou registros e reportagens sobre uma mulher com quase 40 anos com antecedentes por casos semelhantes em outros estados.
Mulher que fingiu ser criança em SC tem prisão decretadaFoto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina/ND MaisMulher que fingiu ser criança em SC já praticou golpes em outros estados
Conforme a polícia, a suspeita possui antecedentes por golpes semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
A partir da denúncia, a Polícia Civil iniciou diligências para confirmar a identidade da suspeita. Após o levantamento das informações, os agentes foram até a residência da família, em Pirabeiraba, onde realizaram a prisão em flagrante.
Segundo o delegado, a mulher conheceu a família por meio de uma igreja. Ela procurou ajuda no local, alegou falsamente que era do Pará e contou uma série de histórias para sensibilizar os membros da congregação.
“O pastor acabou se sensibilizando com a história dela. Ela tinha falado que foi abusada, que passou por uma casa de prostituição onde foi obrigada a tomar hormônios, por isso tinha aparência física de adulta”, explicou.
A polícia afirma que ela mantinha uma conduta infantilizada para reforçar a personagem, utilizando objetos e comportamentos associados à infância como chupetas, mamadeiras e cobertores para dormir. O delegado também citou que as vítimas sofreram uma espécie de ‘sequestro emocional’. A família chegou a fazer uma festa de aniversário de 12 anos para ela.
Durante o interrogatório, a mulher confessou os fatos à autoridade policial. Ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.
