A fiscalização pelas BRs da região da Grande Florianópolis virou palco de embate institucional que mistura cobrança jurídica e a nua realidade do orçamento público.
Após o MPF (Ministério Público Federal) instaurar um inquérito civil apontando um suposto “apagão” de controle e sucateamento na Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em São José, a corporação veio a público com esclarecimentos que jogam luz sobre a rotina burocrática e as heranças estruturais que o cidadão comum não enxerga.
O pano de fundo da investigação do MPF, baseada em uma vistoria recente, carimba a unidade com falta de estrutura: cita uma balança obsoleta na unidade de Palhoça, a presença de apenas um radar móvel (que estava quebrado na inspeção) e uma suposta ausência de Corregedoria interna há três anos.
A pressão dos procuradores, que deram 15 dias para explicações e planos de reestruturação, desenha o cenário de uma rodovia desamparada. No entanto, o contraponto da PRF mostra que o buraco e mais embaixo e envolve logística e gestão de recursos.
Sobre a polêmica balança de Palhoça, a PRF revelou que o equipamento é uma verdadeira “peça de museu”.
A estrutura foi herdada da Secretaria do Estado da Fazenda há mais de 20 anos, quando o imóvel foi cedido à União, e já chegou defasada.
Segundo a instituição, gastar dinheiro público para consertar o maquinário hoje seria totalmente inviável e irresponsável com o erário. Já o radar com defeito encontrado na sede de São José cumpre um fluxo normal de manutenção: por ser uma unidade estritamente administrativa, as ferramentas estragadas nos postos operacionais de 24 horas são enviadas para lá justamente para pegar a rota do conserto.
A polícia também contestou a tese de que a Corregedoria abandonou a fiscalização interna.
O argumento é de que os fiscais da corporação visitam constantemente, e várias vezes ao ano, as bases operacionais de Palhoça, Biguaçu e Rancho Queimado, que é onde o efetivo realmente trabalha e onde o policiamento acontece na prática, na beira da pista.
O embate expõe o clássico descompasso nacional entre o rigor técnico dos órgãos de controle e o malabarismo financeiro das forças de segurança.
O caso agora segue para as respostas oficiais, mas o debate sobre as reais condições de trabalho nas nossas estradas já está escancarado.
