Atropelada no fim de abril por uma bike elétrica, a empreendedora Jaqueline Castro Eger, de 53 anos, se recupera de uma fratura na face e pede regras mais rígidas para condutores de veículos motorizados em Florianópolis.
“Já aconteceram vários acidentes entre bike elétrica e bike normal e ninguém levanta a bandeira. De repente, Floripa não é mais o lugar para você passear”, diz Jaqueline, que pedala há 42 anos e usa só a bicicleta como meio de transporte. “Pessoal no patinete e na bike elétrica são robôs em cima da máquina”, afirma.
Empreendedora é atropelada por bike elétrica
A empreendedora foi atropelada no fim da tarde do dia 25 de abril, dia do seu aniversário, no bairro Rio Tavares. Ela fazia entregas dos brownies artesanais que vende e, depois, seguiria para a comemoração da data.
No entanto, foi atingida na rodovia Admar Gonzaga, quando ia em direção à rua Vereador Osni Ortiga. “É um lugar onde eu passo todos os dias, às vezes até três, quatro vezes”, conta.
O condutor se deslocava na direção oposta à Jaqueline, e a atingiu de frente. “Por isso quebrou o osso do meu rosto. E ele estava sem capacete, o que foi uma sorte, porque o capacete da bike elétrica é parecido com o que precisa usar para moto, muito duro.”
“Com o impacto, bati no paredão. Se eu fosse jogada na rodovia, já estaria a sete palmos abaixo da terra. Minha bike voou longe.”
Jaqueline agora (foto à esq.), já recuperada do hematoma no rosto. Ela foi atropelada por uma bike elétrica no dia do seu aniversário.Foto: Arquivo pessoal/NDMais
Jaqueline já se machucou outras vezes ao andar de bicicleta. Porém, sempre teve quedas acidentais. Esse foi o primeiro atropelamento que sofreu. Além da lesão no lado direito do rosto, a empreendedora teve ferimentos em todo o corpo.
Ela conta ter ficado em choque ao se ver, ainda no local do acidente. “Fiquei no chão por alguns segundos de olho fechado e me sentei. Eu sentia meu olho fechando e quando peguei o espelho. Eu era uma poça de sangue. Me assustei muito. Fui me olhando e estava inteira machucada.”
Seu receio era perder a visão, pois o inchaço na face a impediu de abrir o olho nos dias seguintes ao acidente. Por isso, conta ter deixado de se olhar durante o período, para evitar a ansiedade. “Cada vez que eu me via, o meu coração disparava”, afirma.
“A minha preocupação era a visão. Pensei que ia ficar cega.”
Condutor da bike elétrica era estrangeiro e pediu que não chamassem a polícia
Jaqueline conta não ter recebido qualquer ajuda do condutor. No dia do acidente, ele teria pedido para que ninguém acionasse a polícia, alegando ser estrangeiro com problemas no visto de permanência no país.
O homem teria deixado o local após a chegada de conhecidos, afirma a ciclista. Foram amigos de Jaqueline que a ajudaram no local e chamaram o resgate.
Ela e o condutor da bike elétrica trocaram contatos, mas o homem a bloqueou depois de a empreendedora cobrar os custos do conserto de sua bicicleta, valor próximo a R$ 1 mil. “Ele sumiu, disse que não me ajudaria porque também teve prejuízo”, conta Jaqueline.
Ela já voltou a pedalar após o atropelamento por uma bike elétrica
A vida retoma à normalidade aos poucos. Em maio, Jaqueline disse conviver com muitas sequelas do acidente, sobretudo dores no corpo todo e as dificuldades de visão enquanto ainda se recupera. Também teve efeitos colaterais dos remédios e não pôde trabalhar.
Jaqueline voltou a pedalar no início deste mês, após sua bike ser refeita. “Floripa antes tinha movimento na temporada, começava em setembro e ia aumentando, de dezembro ao Carnaval era uma loucura. Agora, Floripa é loucura 24 horas. Super perigoso”, comenta a empreendedora.
Acidente com bike elétrica na Capital
O NDMais procurou a Secretaria de Operações de Mobilidade, da Prefeitura de Florianópolis, para saber se a pasta monitora o número de incidentes relacionados a veículos elétricos na cidade e quais as exigências para a circulação segura dos condutores. Não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

