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Tráfico de drogas, roubo e arrombamentos em SC: áudios revelam presos combinando crimes

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Grupo ND teve acesso a um aparelho que estava sendo usado por presos, dentro da unidade de Itajaí, em Canhanduba; crimes seguem sendo praticados e articulados dentro da unidade prisionalFoto: NDTV RECORD/Divulgação

Durante 16 dias o Grupo ND conversou com um detento do Complexo Prisional de Itajaí, em Canhanduba, conforme denúncia publicada há algumas semanas neste espaço.

O conteúdo acessado revela um descontrole do Estado sobre uma unidade prisional, e reforça a ideia de que dentro dos muros o crime tem um potencial ainda mais destrutivo.

“Tem o Estado aqui dentro, mas tem a terceirizada. Então a conivência é grande para que a população carcerária fique calma, né? Não crie transtorno nem problema que vai sair na mídia, essas ‘coisa’, então eles mantêm o pessoal tranquilo aqui deixando passar [drogas], né? Eles sabem tudo que entra aqui, né?”

Um aparelho que tivemos acesso, denominado “radinho”, funcionava como um “coworking” do crime: os detentos pagavam para usar o telefone em horários escalonados.

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Entre as mensagens, os presos coordenam o tráfico de drogas interno e externo, planejam o furto de caminhonetes e articulam arrombamentos a imóveis de veraneio no litoral de SC.

Movimentação financeira

No período acessado, há uma movimentação financeira entre comprovantes e cobranças, superior a R$ 20 mil. Os valores eram referentes às drogas tanto do lado de fora da unidade, como do lado interno.

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    Valor em conta, em celular acessado dentro da unidade prisional de Itajaí; presos com poderio financeiro, celular e drogas ao seu alcance - Divulgação/ND

    Valor em conta, em celular acessado dentro da unidade prisional de Itajaí; presos com poderio financeiro, celular e drogas ao seu alcance – Divulgação/ND

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    Imagem, em alusão a Copa do Mundo, com um tipo de droga que estava sendo negociada por um detento do complexo prisional de Canhanduba - Divulgação/ND

    Imagem, em alusão a Copa do Mundo, com um tipo de droga que estava sendo negociada por um detento do complexo prisional de Canhanduba – Divulgação/ND

Um homem apontado como o líder de uma facção dentro da unidade de Canhauba, que contava com a colaboração da própria mãe para fazer a contabilidade, fazia a conferência de quem pagou e quem tinha que pagar, sempre em horário pré-estabelecido.

Arrombamentos no Litoral de Santa Catarina

Outro áudio acessado, revela a ideia de um detento para um trabalho “externo”, onde o “instutor” detalha como deve proceder o arrombamento em casas de praia distribuídas pelo Litoral de Santa Catarina.

Em seu relato, o apenado lembra que é importante fazer esse tipo de delito em “casas de veraneio” para que aumente a possibilidade de êxito.

Na resposta, outro criminoso, do lado de fora da prisão, garante ser “as pernas” do mentor pelas ruas de Santa Catarina.

“Eu vou ser tuas pernas na rua, temos que fazer o ‘bagulho’ com calma porque tenho que ficar lá, não adianta ficar muito acelerado e eu voltar aí para dentro [da prisão] e acabou-se o castelo todo”.

Aparelho para furto de caminhonete

Em outro diálogo acessado, um detento revela que conseguiu uma máquina de furtar caminhonetes. Se trata de um aparelho em que o “sinal” para abrir o veículo é acionado e, assim, facilitado o delito.

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    Equipamento para furto de caminhonetes, em Santa Catarina - Divulgação/ND

    Equipamento para furto de caminhonetes, em Santa Catarina – Divulgação/ND

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    Equipamento para burlar e furtar caminhonetes, em Santa Catarina - Divulgação/ND

    Equipamento para burlar e furtar caminhonetes, em Santa Catarina – Divulgação/ND

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    Arma adquirida para a prática de delitos; combinado dentro e fora da unidade prisional - Divulgação/ND

    Arma adquirida para a prática de delitos; combinado dentro e fora da unidade prisional – Divulgação/ND

Em um dos áudios, um preso dá garantia do que fazer assim que conseguir praticar o delito. A meta é um modelo específico – Toyota Hilux – que pode ser levada até o Paraguai para vender por “R$ 35 ou R$ 40 mil”, ou trocar por drogas e armas.

Visita íntima com drogas

Entre as conversas também é possível constatar que as visitas íntimas eram utlizadas para o ingresso de drogas e demais equipamentos.

O combinado ia além, procurava a melhor qualidade do produto a ser comercializado dentro e fora da unidade prisional.

Visita ítima era usada para levar drogas para dentro da unidade prisionalVídeo: Divulgação/ND

Operações realizadas na unidade

O contato com um detento foi interrompido no dia 5 de maio, quando o Gaeco

O caso está aos cuidados do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) que, recentemente, comandou duas operações dentro da unidade.

Conforme fontes junto a investigação, equipes estão mergulhadas em “duas investigações bem minuciosas” que aconteceram na unidade.

Penitenciária de Itajaí é adminstrada em cogestão

A Secretaria de Estado de Administração Prisional e Socioeducativa esclarece que, atualmente, das 54 unidades prisionais de Santa Catarina, apenas 3 atuam sob o sistema de cogestão (sendo duas unidades localizadas em Itajaí e uma em Joinville)

Para a Sejuri, o modelo adotado foi implantado devido a falta de efetivo dentro das cadeias do Estado. Um problema que vai além de Santa Catarina e é do Brasil inteiro.

A direção e as coordenações das unidades são de responsabilidade exclusiva do Estado, exercidas por policiais penais. A execução dos serviços e a atuação operacional interna cabem à empresa contratada. Os funcionários da contratada passam por formação fornecida pela própria empresa.

Sejuri revela um novo critério de seleção para a próxima empresa

Segundo a secretária Danielle Amorim Silva o Estado já trabalha em um novo termo de referência para aprimorar os critérios de seleção e definiri de forma mais clara como deve ser a formação.

Secretária Danielle Amorim SilvaFoto: Divulgação/Governo de Santa Catarina/ND MaisSecretária Danielle Amorim SilvaFoto: Divulgação/Governo de Santa Catarina/ND Mais

As empresas devem seguir rigorosamente a Lei de Execução Penal, os decretos estaduais e as instruções normativas de segurança da Polícia Penal de Santa Catarina.

O controle das atividades é realizado pelo Estado por meio de fiscais de contrato, garantindo o cumprimento das obrigações e a segurança das unidades.

O que diz a terceirizada

A Soluções Serviços Terceirizados informa que tomou conhecimento das alegações recentemente divulgadas e acompanha o caso com a atenção que a situação requer.

A empresa adotará os procedimentos internos necessários para a verificação dos fatos, assegurando que a apuração ocorra de forma criteriosa e em conformidade com a legislação vigente. Da mesma forma, colocará à disposição das autoridades competentes todas as informações que possam contribuir para o esclarecimento dos acontecimentos.

A Soluções Serviços Terceirizados pauta sua atuação pelo cumprimento das normas legais, contratuais e operacionais que regem suas atividades, não admitindo condutas que contrariem esses preceitos.

As medidas cabíveis serão adotadas caso sejam constatadas irregularidades, observados o devido processo de apuração e os princípios legais aplicáveis.

A empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários.

Confira a reportagem completa no Cidade Alerta

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