O advogado Rodrigo Pantaleão, que ficou conhecido nacionalmente após concordar com a condenação de seu cliente preso em flagrante em uma audiência realizada na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, foi encontrado morto dentro da própria casa, em uma transversal da Rodovia Admar Gonzaga, no bairro Itacorubi, na manhã desta quinta-feira (25).
De acordo com o 4° Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina, o acionamento das equipes ocorreu no final desta manhã. Os policiais conseguiram entrar na residência do advogado pouco antes das 12h; antes disso, os cães do homem protegiam o terreno e impossibilitavam a apuração.
O delegado da Delegacia de Homicídios de Florianópolis, Alex Bonfim, informou que a ocorrência está em andamento e, até o momento, não há indicativos de morte violenta.
* Matéria em atualização.
Advogado encontrado morto viralizou nas redes sociais nas últimas semanas
Uma audiência realizada na 3ª Vara Criminal de Florianópolis chamou a atenção por uma situação inusitada envolvendo a conduta de Rodrigo Pantaleão, o advogado encontrado morto nesta quinta. A sessão envolvia um réu acusado por tráfico de drogas e posse de arma de fogo.
O caso ganhou repercussão após a postura adotada pelo advogado, que surpreendeu os participantes da sessão ao manifestar concordância com o posicionamento apresentado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) contra seu cliente.
Equipes policiais estão mobilizadas após advogado ser encontrado morto em FlorianópolisFoto: Márcio Falcão/NDEm vez de contestar os argumentos da acusação ou buscar elementos favoráveis ao cliente, ele declarou que acompanhava o pedido formulado pela promotoria. Além de concordar com a tese acusatória, o advogado afirmou que não possuía considerações adicionais a apresentar em benefício do acusado.
“Em alegações finais, Excelência, dada máxima vênia, a defesa corrobora com as afirmações exaradas pela douta Promotoria de Justiça. Nada mais, Excelência”, afirmou o advogado do réu em vídeo que circulou nas redes sociais.
A manifestação causou estranheza no andamento do processo, já que a atuação da defesa deveria garantir ao investigado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa previstos na legislação brasileira.
Cliente de advogado encontrado morto foi preso em flagrante em fevereiro deste ano por portar arma e porções de cocaínaFoto: iStock/ReproduçãoAo observar a situação, a magistrada responsável pelo caso entendeu que o acusado estava sem uma defesa efetiva. Diante disso, ela decidiu interromper a audiência antes de proferir a sentença.
“O senhor merece uma defesa, ainda que o senhor tenha admitido parte das questões ilícitas. Então eu dou três dias para o senhor Fernando constituir um novo defensor. Se o senhor não constituir um novo defensor, eu vou nomear um defensor dativo”, afirmou a juíza.
