Um dos nomes envolvidos no escândalo de fraudes em licitações de softwares em Santa Catarina foi preso em flagrante no Aeroporto Internacional de Florianópolis na última quinta-feira (9). O empresário Alcione Melo Ramos, sócio-executivo da empresa Pública Tecnologia Ltda., foi detido pela Polícia Militar após ser flagrado portando ilegalmente uma arma de fogo no interior de seu veículo.
A prisão ocorreu após o setor de inteligência da polícia emitir um alerta indicando que o investigado estaria circulando com o armamento irregular. Uma guarnição da PM localizou e abordou o veículo de Alcione, um Toyota Corolla Cross, no interior do estacionamento do aeroporto.
Durante a busca, os policiais encontraram uma pistola da marca Glock fixada em um dispositivo magnético instalado logo ao lado do banco do motorista, uma configuração que, segundo a polícia, facilitava o saque e o uso imediato do armamento. Junto à pistola, foram apreendidos dois carregadores municiados com 15 cartuchos cada. Um dos carregadores já estava acoplado na própria arma, que se encontrava alimentada e carregada.
Caso aconteceu em FlorianópolisFoto: Ricardo Wolffenbuttel/ND MaisAos policiais, o empresário afirmou que a pistola possui registro legal, mas admitiu que não tem autorização para o porte de arma de fogo. Diante dos fatos, foi proferida a voz de prisão em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, e Alcione foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.
Envolvimento de Alcione no esquema de corrupção alvo da Operação Gaiola Digital
Em recente investigação conduzida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), Alcione Melo Ramos é apontado como peça-chave na atuação de uma suposta organização criminosa que praticava fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.
De acordo com a investigação do MPSC, Alcione integra o chamado “Núcleo Diretivo” da empresa Pública Tecnologia. Ele atuava diretamente como um sócio-executivo encarregado de operacionalizar os fluxos financeiros ilícitos da organização.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina retirou o sigilo do processo da PúblicaFoto: MPSC/Reprodução/ND MaisEra dele, junto a outros diretores, a função de gerenciar as planilhas ocultas da empresa e viabilizar o dinheiro em espécie que abastecia as propinas de prefeitos e secretários municipais.
Com a prisão no aeroporto, os investigadores agora apuram se o empresário pretendia deixar o estado ou se o armamento pronto para uso tem alguma relação com possíveis intimidações ligadas ao avanço das investigações do GAECO.
