Em um desfecho chocante para um caso que mobilizou o Oeste catarinense, a Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (31), o marido e o sogro de Débora Ester de Bizi Dambros, de 24 anos.
O que parecia um trágico acidente de trânsito em uma ponte na SC-283 revelou-se, segundo a investigação, uma farsa planejada para ocultar um crime brutal cometida dentro da própria casa da vítima.
A farsa da ponte e a fraude processual
Segundo a Polícia Civil, o feminicídio ocorreu no dia 20 de julho, por volta das 18h, na residência do casal. Para tentar encobrir o assassinato, o suspeito contou com o auxílio direto do próprio pai. Juntos, eles transportaram o corpo de Débora Dambros por cerca de 70 quilômetros até a ponte do Rio Barra Grande, na SC-283, em São Carlos.
A morte de Débora Dambros, jovem de 24 anos, causou comoção entre familiares e amigos nas redes sociais.Foto: Montagem/ND MaisAproveitando que a proteção lateral da ponte já estava danificada por um sinistro anterior, eles jogaram o veículo no rio para simular um acidente. O pai do investigado deu suporte durante todo o trajeto, seguindo o carro do filho em outro veículo e garantindo a fuga da cena do crime. Como o local é isolado, o automóvel só foi avistado por populares na tarde do dia seguinte (21).
Postagem comovente e falso boletim de desaparecimento
Para tentar ludibriar as autoridades e despistar a comunidade, o marido adotou uma postura calculada, segundo o delegado Claudio Vieira.
Antes do corpo ser localizado, ele foi até a delegacia e registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento, alegando erroneamente que a esposa teria fugido por conta de um suposto relacionamento extraconjugal.
Nas redes sociais, o suspeito chegou a fazer uma publicação comovente, chamando a esposa de “bem mais precioso” e lamentando a perda:
“Deus, por que levar meu bem mais precioso? Que eu cuidei, dediquei meu amor. Sei que foram momentos difíceis e também fáceis, mas sempre ao seu lado. Logo, logo nos encontramos na próxima vida”, escreveu ele.
Perícia desmascarou versão de acidente
A reviravolta no caso aconteceu após laudos periciais e análises da Polícia Civil apontarem que o horário da morte de Débora Dambros não era compatível com o momento da queda do veículo. Além disso, as lesões no corpo da jovem de 24 anos destoavam completamente de um impacto típico de acidente de trânsito.
Corpo de Débora Dambros foi encontrado em São Carlos, no Oeste catarinense.Foto: Bombeiros Militar de Santa Catarina/ND MaisDiante das provas de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra o marido e o sogro da vítima, cumpridos nesta sexta-feira.
Débora Ester deixa dois filhos menores de idade. O velório da jovem ocorreu na Capela Mortuária de Ipuaçu, sob forte comoção de familiares e amigos que, até então, acreditavam em uma fatalidade na rodovia.
