A Receita Federal, em ação conjunta com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, deflagrou a Operação Arena para desarticular um esquema sofisticado de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no setor de apostas de quota fixa e jogos de azar, as chamadas bets.
A ofensiva cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e autorizou o bloqueio judicial de bens e valores que podem alcançar o limite de R$ 1 bilhão.
A estrutura sob investigação simula operar a partir do exterior para ocultar que sua gestão administrativa e financeira acontece no Brasil, burlando a tributação nacional.
Veja onde os mandados contra bets na Operação Arena
As diligências ocorrem de forma simultânea em 14 endereços distintos espalhados pelo país. A mobilização foca em endereços ligados ao grupo empresarial investigado e a operadores do esquema:
- Paraíba
- Sergipe
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Paraná
Ao todo, 40 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal atuam no cumprimento das ordens judiciais. O objetivo principal é coletar novas provas digitais e documentais para subsidiar o processo penal e administrativo contra as pessoas físicas e jurídicas envolvidas.
O governo federal notificou 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos de casas de apostas sem autorização para operar no BrasilFoto: Imagem gerada por IA/ND MaisComo funcionava a fraude financeira e societária
Segundo as investigações conduziadas pela 4ª Região Fiscal e pela Equipe de Fiscalização de Combate às Fraudes Estruturadas, o grupo utilizava empresas de fachada constituídas no exterior para justificar remessas internacionais milionárias de recursos sem lastro operacional real.
Para ocultar a origem ilícita e o destino final dos valores movimentados no mercado de apostas, o grupo empregava mecanismos financeiros complexos, tais como:
- Intermediação por instituições de pagamento e corretoras;
- Operações de câmbio irregulares para remessas ao exterior;
- Conversão e movimentação de fundos por meio de ativos digitais (criptomoedas);
- Omissão deliberada de rendimentos à administração tributária.
Com essa engenharia societária, os investigados conseguiam reduzir ou evitar de forma fraudulenta o imposto incidente sobre o faturamento gerado com apostas no Brasil, transferindo os lucros ilícitos para contas internacionais.
Operação mira advogado Nelson Wilians e apreende itens de luxo
Entre os principais desdobramentos da Operação Arena está o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do renomado advogado Nelson Wilians, em São Paulo.
Os investigadores apontam o jurista como suspeito de atuar como operador financeiro da rede ilícita, integrando a engenharia responsável por ocultar e lavar o patrimônio bilionário do grupo.
Em nota, a defesa do escritório confirmou o recebimento das equipes federais e afirmou prestar integral colaboração com as autoridades.
As diligências chamaram a atenção das equipes da PF e da Receita Federal pelo alto padrão de ostentação mantido pelos suspeitos.
Durante a execução das ordens judiciais, foram apreendidos veículos de altíssimo luxo das marcas Ferrari, Rolls-Royce, Porsche e BMW, frota avaliada entre R$ 15 milhões e R$ 19 milhões , além de expressivas quantias em maços de dólares, euros, joias e obras de arte.
De acordo com o Ministério Público Federal, a estrutura do esquema baseava-se em empresas sediadas em paraísos fiscais como Curaçao e Costa Rica para simular transações no exterior.
A apuração foca em rastrear se o patrimônio milionário apreendido foi financiado com os recursos desviados do faturamento das apostas e se a rede operou ativamente na sonegação sistemática do imposto incidente sobre o mercado nacional.
