O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) divulgou uma atualização sobre os impactos do El Niño no estado. Segundo o órgão, o fenômeno deve provocar chuvas acima da média em todas as regiões paranaenses até dezembro de 2026, após ganhar força sobre o Oceano Pacífico.
Em julho, uma das principais áreas monitoradas pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) registrou temperatura 1,4°C acima da média na superfície do mar. As previsões divulgadas por institutos internacionais também indicam que o fenômeno continuará se fortalecendo.
El Niño tem mais de 90% de chance de ficar muito forte
“Há mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte, quando as temperaturas da superfície do mar ficam pelo menos 2°C acima da climatologia”, alerta o Simepar. “Isso deve ocorrer durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul”, acrescenta o órgão.
Diante desse cenário, o órgão prevê que as chuvas permanecerão acima da média durante esse período não apenas no Paraná, mas em toda a região Sul do Brasil.
Onde o El Niño deve provocar mais chuva no Paraná?
No Paraná, as regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul devem concentrar os maiores volumes. Também há previsão de aumento na frequência de episódios de tempo severo, como tempestades, chuvas intensas, enxurradas e inundações. A influência do fenômeno deve persistir até o primeiro trimestre de 2027.
Os impactos do El Niño já vêm sendo observados durante o inverno. Das 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação no Paraná, apenas quatro registraram, em julho de 2026, volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba.
Nas outras 41 estações, o acumulado superou a média histórica, com alguns recordes. Em Palmas, por exemplo, os 311 milímetros de chuva registrados em julho de 2026 representam o maior volume para o mês desde a instalação da estação meteorológica, há 28 anos.
Além disso, cidades como Capanema, Cândido de Abreu, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa, São Miguel do Iguaçu e Ubiratã registraram, em julho de 2026, acumulados de chuva pelo menos 100 milímetros acima da média histórica para o período, segundo o Simepar.
Quais são os impactos do El Niño?
Para a agricultura, a redução das áreas afetadas pela seca pode favorecer o desenvolvimento das lavouras. No entanto, o Simepar ressalta que o planejamento dos produtores será fundamental, já que o excesso de precipitação também pode elevar a umidade do solo e dificultar as operações no campo.
O ambiente mais úmido favorece a ocorrência de doenças fúngicas e, dependendo da cultura e do período em que as chuvas ocorrerem, pode comprometer a qualidade dos grãos. Além disso, o excesso de precipitação aumenta o risco de erosão e de perdas de solo.
Simepar recomenda acompanhamento constante das previsões
Apesar de o El Niño influenciar o comportamento das chuvas e das temperaturas no Paraná, fazendo com que esses indicadores fiquem acima ou abaixo das médias históricas em determinados períodos, o Simepar destaca que o acompanhamento diário das previsões do tempo continua sendo indispensável.
Segundo o órgão, a ocorrência e a intensidade dos episódios de chuva dependem dos sistemas meteorológicos que atuam sobre a região.
O Simepar também ressalta que nem mesmo os episódios mais intensos de El Niño provocam os mesmos impactos em todas as regiões. Ainda assim, quanto mais forte o fenômeno, maior é a probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados a ele.
