As imagens da enxurrada de lama que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26) lembram algumas das maiores tragédias provocadas por deslizamentos e grandes volumes de lama no Brasil, como Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, além de Petrópolis e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
O desastre no Nepal já deixou ao menos 95 mortos e 403 desaparecidos, até a publicação desta reportagem. A principal suspeita é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado uma avalanche que bloqueou um rio e desencadeou a enxurrada, mas as autoridades ainda investigam a sequência exata dos acontecimentos.
Apesar das imagens de destruição serem semelhantes, as causas dos desastres são diferentes. No Nepal, a hipótese investigada envolve um fenômeno geológico que teria provocado uma avalanche e, posteriormente, uma enxurrada.
No Brasil, tragédias como Brumadinho e Mariana envolveram o rompimento de barragens de rejeitos de mineração, enquanto Nova Friburgo e Petrópolis foram atingidas por chuvas intensas, enchentes e deslizamentos.
Terremoto pode ter provocado a enxurrada
As autoridades ainda investigam o que provocou a sequência de acontecimentos. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, afirmou que um terremoto de magnitude 4,4 atingiu a região por volta das 8h37 (horário local).
A principal hipótese é que o tremor tenha provocado uma avalanche de gelo, neve e pedras, bloqueando o curso do rio Lhende. O acúmulo de água teria provocado posteriormente a enxurrada que atingiu áreas habitadas e pontos turísticos próximos à fronteira com o Tibete.
Segundo informações preliminares, houve apenas alguns minutos entre o terremoto e a inundação. As autoridades, porém, ainda investigam a dinâmica do desastre e não confirmaram definitivamente que o tremor foi o responsável pela enxurrada.
Tragédias no Brasil também deixaram rastro de lama e destruição
Tragédia em Brumadinho ocorreu em janeiro de 2019Foto: Reprodução/ND MaisNo Brasil, imagens de grandes volumes de lama avançando sobre áreas habitadas também ficaram marcadas por algumas das maiores tragédias das últimas décadas.
Em Brumadinho, em Minas Gerais, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em janeiro de 2019, matou 272 pessoas. A onda de rejeitos atingiu instalações da empresa, casas e áreas próximas, além de provocar impactos ambientais na bacia do rio Paraopeba.
Rompimento em Mariana
Pouco mais de três anos antes, em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), liberou uma enorme quantidade de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades, matou 19 pessoas e percorreu centenas de quilômetros pela bacia do rio Doce até chegar ao Oceano Atlântico.
Destruição na Serra Fluminense
Deslizamento em Petrópolis em 2022Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Reprodução/ ND MaisAs tragédias provocadas por deslizamentos e enchentes também deixaram marcas profundas no país. Em janeiro de 2011, o chamado Megadesastre da Região Serrana atingiu principalmente Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Chuvas intensas provocaram deslizamentos de encostas, enchentes e enxurradas, deixando 918 mortos confirmados em uma das maiores tragédias naturais da história brasileira.
Em fevereiro de 2022, Petrópolis voltou a enfrentar uma tragédia semelhante. Chuvas extremas provocaram alagamentos e deslizamentos em diferentes pontos da cidade, incluindo o Morro da Oficina, onde casas foram soterradas. O desastre deixou 241 mortos e voltou a expor a vulnerabilidade de áreas ocupadas em regiões sujeitas a deslizamentos.
Embora as imagens de lama, água e destruição aproximem visualmente esses episódios do desastre registrado agora no Nepal, as causas são diferentes. Mariana e Brumadinho foram provocados pelo rompimento de barragens de rejeitos de mineração. Já Nova Friburgo e Petrópolis foram atingidas por eventos extremos de chuva, enchentes e movimentos de massa.
403 pessoas continuam desaparecidas
O número de desaparecidos chegou a 403 pessoas no Nepal. Entre elas estão centenas de estrangeiros que estavam na região, incluindo turistas. O Conselho de Turismo do Nepal informou anteriormente que 291 dos desaparecidos eram estrangeiros.
As equipes de emergência continuam as buscas nas áreas atingidas. Estradas foram destruídas ou bloqueadas, enquanto pontes e estruturas próximas aos rios foram levadas pela força da água.
