A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, acionou um plano preventivo de resposta rápida para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos causados pelo fenômeno El Niño. A estratégia visa evitar que enchentes, enxurradas e bloqueios de vias interrompam o atendimento médico e coloquem em risco a vida dos moradores da capital.
O trabalho é sistematizado pela Rede Vigidesastres, setor responsável por organizar a atuação da saúde pública em cenários de emergência. A estrutura reúne diferentes gerências técnicas para mapear riscos, traçar planos de ação e otimizar os serviços de urgência.
Coordenada pelo Ministério da Saúde e replicada por secretarias estaduais e municipais, a ação da rede faz parte de um plano nacional de R$ 9,8 bilhões investidos em saúde e clima para mitigar desastres associados, como enchentes e secas severas
Mapeamento de pacientes críticos e rotas de emergência
Uma das medidas centrais da operação é o georreferenciamento de pacientes que necessitam de cuidados contínuos e vitais. O levantamento já identificou a localização de cerca de 250 pessoas que realizam hemodiálise, além de pacientes em tratamento oncológico, transplantados e dependentes de oxigenoterapia domiciliar.
A localização exata dessas pessoas será cruzada em tempo real com os alertas da Defesa Civil, emitidos com até 24 horas de antecedência. A partir dessas informações, a Secretaria de Saúde poderá antecipar o transporte preventivo dos pacientes e reorganizar as consultas antes que o acesso às regiões seja bloqueado pelas águas.
A hemodiálise é um tratamento médico que utiliza uma máquina para filtrar e limpar o sangue, substituindo a função dos rins quando estes estão doentes ou com insuficiência graveFoto: Divulgação/Partmed/NDO plano abrange também o georreferenciamento dos motoristas da rede municipal e a definição prévia de rotas alternativas para garantir o deslocamento de profissionais do SAMU e das equipes de plantão.
“A preparação busca dar atenção especial às pessoas que dependem de cuidados contínuos. A intenção é antecipar medidas e garantir uma resposta rápida diante de eventos climáticos fortes”, destaca o secretário municipal de Saúde, Almir Gentil.
Estoques estratégicos e bases regionais nos abrigos
A atuação segue o Plano de Contingência para Inundações e Alagamentos, estruturado em cinco estágios operacionais, que progridem do estado de normalidade até o nível de crise extrema.
Entre as ações imediatas está o reforço do estoque estratégico de medicamentos, vacinas e insumos médicos essenciais. Sob ameaça de alagamento, esses materiais serão transferidos preventivamente para unidades de saúde localizadas em áreas elevadas e seguras, evitando perdas de suprimentos.
Conforme a severidade das chuvas, atendimentos médicos poderão ser remanejados entre postos de saúde. O município também prevê a instalação de pontos de triagem em abrigos públicos e a criação de bases regionais de apoio para concentrar serviços de saúde, assistência social e distribuição de água potável.
Estágios operacionais variam na medida em que os fenômenos climáticos se intensificam Foto: Pexels/ND MaisAlerta para leptospirose, dengue e doenças pós-chuva
Além do socorro imediato nas enchentes, o planejamento contempla ações para o período posterior às tempestades, momento em que a exposição à água contaminada eleva o risco de surtos epidemiológicos.
A Vigilância em Saúde vai intensificar o monitoramento e a assistência para conter doenças frequentes após alagamentos, como leptospirose, hepatites e infecções diarreicas agudas. A proliferação do mosquito Aedes aegypti e o consequente risco de surtos de dengue também estão no radar, uma vez que o acúmulo de água limpa e parada favorece os focos do vetor.
Florianópolis já registrou mais de 2.800 casos de dengue em 2026 até meados de agosto, conforme dados do InfoDengueFoto: Reprodução/ND MaisAção integrada e simulados de crise
A operação envolve esforços conjuntos da Secretaria Municipal de Saúde, da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, da Secretaria do Meio Ambiente e de órgãos de infraestrutura municipal, que realizam reformas e manutenção predial nas unidades de saúde.
Para testar a eficiência do plano, a Secretaria de Saúde realizará um simulado de mesa, que consiste em um exercício teórico em ambiente controlado onde equipes discutem e testam planos de resposta a emergências passo a passo, sem a necessidade de mobilização física no campo.
O exercício reunirá gerências e técnicos de diversas áreas para testar os fluxos de comunicação, a articulação entre os órgãos e o tempo de resposta das equipes diante de múltiplos cenários de crise na Grande Florianópolis.
