O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou neste domingo (6) a possibilidade de um integrante da Corte prometer o encerramento de uma investigação. A manifestação ocorreu após o presidente do STF, Edson Fachin, defender a necessidade de concluir o inquérito das fake news como parte dos esforços para pacificar a crise interna do tribunal.
Sem citar nominalmente Fachin ou o próprio inquérito das fake news, Dino abordou as críticas relacionadas à duração das investigações no Supremo em uma publicação nas redes sociais.
“É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?”, questionou o ministro.
Na sequência, Dino afirmou ser favorável à conclusão das investigações que estão em andamento no STF.
“Eu, pessoalmente, sou a favor da conclusão dos inquéritos, até porque eles foram feitos para terminar mesmo, mediante a propositura das ações penais ou dos arquivamentos cabíveis”, afirmou.
Dino defende decisões monocráticas do STF
Na mesma publicação, Flávio Dino também defendeu as decisões monocráticas do Supremo e afirmou ser possível discutir uma eventual mudança nas competências da Corte.
Segundo o ministro, uma reforma nesse sentido poderia ser realizada, desde que houvesse planejamento adequado para sua implementação.
A manifestação ocorre em meio a um momento de forte tensão entre ministros do STF, que se intensificou nos últimos dias.
Moraes pede investigação contra Mendonça
A crise ganhou força na quinta-feira (3), quando Alexandre de Moraes pediu a Edson Fachin a abertura de uma investigação contra André Mendonça por supostos crimes relacionados à relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
As investigações apuram, respectivamente, possíveis desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
Na avaliação de Moraes, Mendonça teria direcionado as investigações contra ele por razões “pessoais” e “políticas”. Por isso, o ministro solicitou que o colega fosse incluído no inquérito das fake news.
O pedido ocorreu após Mendonça determinar a retirada do sigilo de trechos da investigação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre o material tornado público estão mensagens privadas supostamente trocadas entre Vorcaro e Moraes.
*Texto com informações do SBT News
Quer receber notícias no seu whatsapp?
