A (PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) concluiu o depoimento de Bolsonaro a respeito de uma arma de fogo de sua propriedade que foi apreendida com um sargento do Exército. A oitiva ocorreu presencialmente na residência onde o político cumpre prisão domiciliar humanitária, em Brasília, conduzida pelo delegado Thiago Boeing nesta terça-feira (23).
O caso, iniciado após a arma ser apreendida em uma blitz de trânsito em Taguatinga, foi anexado às execuções penais do ex-presidente no STF (Supremo Tribunal Federal).
A investigação começou na segunda-feira (15), quando a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) realizou uma fiscalização de rotina na região administrativa de Taguatinga. Durante o procedimento, agentes abordaram um veículo conduzido por um sargento do Exército, que atua na segurança do ex-presidente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O militar portava regularmente sua arma funcional, mas os policiais localizaram uma segunda pistola no interior do automóvel. Ao ser questionado sobre a falta de documentação do segundo armamento, o sargento informou que a pistola pertencia a Bolsonaro e que o equipamento apresentava uma falha mecânica, tendo sido retirado da casa do ex-presidente para conserto.
Após apreensão de arma por policiais, PCDF colhe depoimento de Bolsonaro no DF Foto: Reprodução/Instagram/ND MaisDevido ao flagrante de transporte de arma sem o devido registro em nome do condutor, o integrante do GSI foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). Ele prestou explicações e foi liberado na sequência, porém o armamento permaneceu retido pelas autoridades locais, motivando a abertura de um inquérito policial.
Mecanismo alterado e justificativa da defesa no STF
Por envolver o ex-presidente, a ocorrência acabou sendo remetida e anexada aos autos do processo de execução penal de Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal), segundo informações do R7. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte, cobrou explicações formais do político sobre as circunstâncias do episódio com a pistola.
A defesa do ex-presidente confirmou que a arma de fogo está registrada regularmente no nome dele. De acordo com os advogados, o mecanismo de disparo do equipamento foi alterado sem o conhecimento prévio de Bolsonaro, uma medida que teria sido adotada devido ao uso de medicações psiquiátricas pelo ex-presidente, as quais poderiam afetar sua cognição.
Os defensores alegaram que Bolsonaro percebeu uma falha de funcionamento no equipamento ao manuseá-lo, mas não conseguiu identificar a causa exata do defeito. Diante disso, o ex-presidente teria entregue o armamento ao sargento do GSI, que possui experiência técnica com armas, para avaliar o problema e providenciar a manutenção necessária.
Prisão domiciliar humanitária e restrições eletrônicas
O depoimento de Bolsonaro, conduzido pelo delegado da 17ª Delegacia de Polícia da PCDF, teve a duração aproximada de 40 minutos. O procedimento precisou ser realizado de forma estritamente presencial na residência do ex-presidente devido às regras impostas pelo Judiciário.
Defesa justifica falha mecânica antes de depoimento de Bolsonaro à Polícia CivilFoto: Reprodução/XAtualmente, Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar humanitária e possui restrições severas para a utilização de telefones celulares ou outros tipos de equipamentos eletrônicos de comunicação. Por essa razão, impossibilitou-se a realização do depoimento por videoconferência ou meios digitais.
O ex-presidente cumpre uma pena unificada de 27 anos e três meses de reclusão. A condenação penal decorre dos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Desdobramentos no STF e manifestação da Polícia Militar
Além de interpelar a defesa de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes exigiu um posicionamento oficial da Polícia Militar sobre a segurança na região. A corporação militar é a responsável pela vigilância ostensiva nos arredores da residência do ex-presidente no Distrito Federal.
Em resposta enviada ao STF, a Polícia Militar informou que os veículos utilizados por agentes do GSI não passam por vistorias quando estão na localidade. A corporação justificou que os automóveis não adentram o perímetro interno do imóvel, permanecendo na área externa durante a guarda.
A Polícia Civil do Distrito Federal segue com o inquérito aberto para apurar detalhadamente todas as circunstâncias que envolvem o transporte e a retenção do armamento do ex-presidente.
